domingo, 26 de diciembre de 2010

En Asseiceira, leyendo sobre la vida y obra de Paul Gauguin (Luís Filipe Parrado)

EN ASSEICEIRA, LEYENDO SOBRE LA VIDA Y LA OBRA DE PAUL GAUGUIN
(POR LUÍS FILIPE PARRADO)

La luz de finales de agosto cae sobre
la terraza de esta casa de provincias
donde leo que

el pintor Paul Gauguin
eludió las obligaciones familiares
abandonando mujer e hijos

para poder viajar por los Mares del Sur
y “perseguir su arte”.
Tras leer estas palabras

levanto los ojos de la página 57
y diviso frente a mí
una bandada de cuervos posados

en los gruesos cables de la luz,
la llanura del cielo, el campo de maíz
más extenso de los alrededores

donde se esconden mis hijos
uno del otro, y los dos de mí.
Para Gauguin, volviendo a la lectura,

la llamada de la creación,
el profundo amor por la pintura
hablaron más alto y más claro que la prosaica

existencia pequeño-burguesa
de la segunda mitad del Ochocientos,
motivo que lo condujo al rechazo

“de los deberes convencionales
con la familia”,
abandonada definitivamente.

Pero, subrayando algunas frases,
no me queda muy claro
si el pintor hizo lo “que sintió

que tenía que hacer para atender
a su más alto grado de excelencia personal”
y, de este modo, legar a los hombres

“el fruto de su arte”
(como argumentan Shai Biderman
& Eliana Jacobowitz)

o si, más desesperadamente
de lo que pueda parecer,
la pintura fue la tabla de salvación,

el último recurso para la huida
del pantano (otros dirán del infierno)
de la vida conyugal, en Copenhague,

con Mette Sophie Gad y los cinco niños.
En cuanto a mí,
me gustaría despejar la duda

y proseguir la lectura,
en el encanto, en la provincia,
mientras el sol de finales de agosto se apaga

por detrás del tejado de la casa
y la noche va extendiendo un viento frío
que vuelve casi imposible

el acto de leer.
Casi a oscuras
me quedan los gritos de los hijos,

lejanos,
y la voz de mi mujer anunciando
que es preciso poner la mesa para cenar.

Por eso,
porque no estamos en Tahití
ni en el siglo XIX

ni soy el famoso pintor primitivo
y moderno Paul Gauguin,
marco la página, cierro el libro

y me levanto
para ocuparme de los platos y los cubiertos.
El poema, disculpen, tiene que detenerse aquí.



[Versión al castellano: Jesús Jiménez Domínguez]

viernes, 24 de diciembre de 2010

Isla de Siltolá, 3


Gracias a la amable invitación de la poeta Olga Bernad, tengo el placer de colaborar en este número 3 de la sevillana revista de poesía "Isla de Siltolá" con dos poemas inéditos.

En la revista también encontramos colaboraciones e inéditos de María Victoria Atencia, Luis Alberto de Cuenca, Fernando Iwasaki, Carmelo Guillén Acosta, Elías Moro, Pedro Sevilla, Inmaculada Moreno, Mercedes Escolano, Antonio Rivero Taravillo, Olga Bernad, Juan Manuel Macías, Cristián Gómez Olivares, Corina Dávalos, Rocío Arana, Ignacio Escuín. Y críticas y reseñas de José Luna Borge, Elena Almeda, Rafael Adolfo Téllez, Juan Manuel Macías, José María Jurado, Tomás Rodríguez Reyes y Julio Ariza.

jueves, 23 de diciembre de 2010

Christmas in Adventury Parks

GET WELL SOON - Christmas in Adventury Parks

Con tantas comidas y cenas, cenas y comidas estos días, creo sinceramente que hemos olvidado el verdadero significado de la Navidad: el nacimiento de Santa Claus. Felices Fiestas.

martes, 21 de diciembre de 2010

Cita con Theodor Fontane


"Los libros tienen su orgullo: cuando se prestan, no vuelven nunca."

sábado, 18 de diciembre de 2010

La excusa de los días



El próximo jueves, 23 de diciembre, a las 20:00 horas, estaremos Fernando Frisa y yo (además de la propia autora Marta Fuembuena, claro) presentando el libro La excusa de los días (Col. Resurrección) en el foro de FNAC de Zaragoza. La excusa de los días se llevó el premio de poesía que convocó el año pasado el bar Candy Warhol. Mis felicitaciones para Marta. Nos vemos allí.


lunes, 13 de diciembre de 2010

La revista Criatura, nº 5, según Hugo Pinto Santos


O mais recente número da revista Criatura revela-se o seu maior conseguimento até à data. Reúne um núcleo fortemente significativo de poetas, que formam um friso amplo e importante da poesia actual. Contou com a colaboração de nomes como António Barahona – «Agora já posso dizer/ o som em carne viva» (p.11) –, numa poesia que revela a arte de um «procurador/ extintor de sono» (p.14) –; Jaime Rocha – «Uma velha sentada/ num banco de madeira sorri como/ se bebesse veneno por uma palha.» (p.67) –, um contributo marcado por um impressivo fulgor imagético, assinalável força metafórica – «A cidade acorda como sempre/ debaixo de um suor agitado./ As formigas invadem os restos/ de fruta e as baratas iniciam o/ seu ciclo instável.» (p.71) –; ou Rui Caeiro – «E se por acaso quiseres beber, tens/ não direi toda a terra pois tudo/ aquilo que nela há é escasso» (p.127).

Merecem lugar de destaque os poemas de David Teles Pereira – «As nossas leis não chegam para acalmar todos os vícios/ e o pior de todos é chorar-te» (p.19) – e Diogo Vaz Pinto – «Quer dizer que abro cortes na ponta/ dos dedos, mergulho-os como isco/ no escuro, e aguardo.» (p.48) –, que se afirmam hoje como autores de alguma da poesia mais relevante e que mais interessa da actualidade. Uma poesia que, na melhor tradição, deixou todos os tronos, qualquer verborreia, e está mais próxima do sangue – «Mas a poesia, mes chers, não salva, não brilha, só caça.» (Golgona Anghel) (p.63) –, acolhe os mais ínfimos filamentos da vida – «Toda esta poesia que nunca cabe num poema.» (Roger Wolfe) (p.l17), que não se enamora do «pus das imagens» (p.43) (DVP). Uma poesia que se dessacralizou, mas em que são, com desvelo, mensurados, pesados, escandidos, os seus materiais, palavra e som – «A poesia é o menos. Serve/ se der com o ritmo» (p.45) (DVP). No entanto, está perdida, neles, para sempre, qualquer possibilidade de valia descontextualizada, no ar – «Os poemas?/ Alguns funcionam,/ outros não./ Se o que queres/ é uma garantia, então compra um televisor.» (p.115) (RW) Trabalho do poeta, «constatar o óbvio» (RW) (124). Fazê-lo, porém, com um investimento linguístico, literário, e de si, que o isente da banalidade – «Há corpos que buscam as luzes dos bares/ nas cidades de passagem como as traças nocturnas/ buscam a bugia do último coração aceso.» (Jesús Jiménez Domínguez) (p.85) Entende-se, nestes versos, a possibilidade de, na nossa passagem por aqui, dizer o que o próprio viver cala – «Viver é outra coisa:/ deixas a gaveta fechada/ e arrancas tudo/ com unhas e dentes,/ o sabor amargo da casca,/ de tão doce,/ não o esqueces.» (Luís Filipe Parrado) (p.89) A poesia, enfim, como possibilidade de criar um espaço onde ele escasseia, um fluxo de dizeres onde se erguem, calados, todos os muros – «A imaginação é a melhor bebida, a água/ do mescal e o mescal da água, urgente, in-/ adiável» (Miguel Martins) (p.107).

Uma das virtualidades desta publicação estará, porventura, na riqueza que lhe advém da disparidade de estilos, da variedade de registos – «não um poeta/quando mais são mais/ dezenas insolentemente/ passando fogo» (p.153). Num cruzamento de planos em que estão em causa vectores aparentemente desavindos, obtêm abrigo seguro as palavras – «as formas de conhecer-te são só duas/ ou três; esta é a que demora mais tempo./ a chuva parou e continuamos distraídos neste/ amor de cabotagem» (p.149) (Tiago Araújo). Como é, ainda, possível encontrar num metaforismo bem calibrado um verso seguro, de tom claramente peculiar – «A carne da tua visão será o labirinto das paredes do teu quarto/ Abertas sobre o tempo/ Em exaustão/ Estranharás as camadas de cal a cobrirem o corpo lúcido do pátio/ O teu mundo será uma cesta de frutos na maturidade das raízes.» (p.139) (Rui Pedro Gonçalves) É possível encontrar, num uso mais escasso, mais visceral, da metáfora e da acção do tropo, um terreno interessante – «E assim, cada coisa é uma hemorragia, cada coisa está fora/ de cada coisa, é todas as outras menos ela mesma.» (p.83) (Jesús Jiménez Domínguez) Numa abordagem destemida da narrativa que é, ao mesmo tempo, depara-se com um modo de revolver as estruturas típicas da história, através da elipse, das suspensões, das inflexões do sentido – «Estava quase a nevar. O radiador, a roupa, as canecas/ e as colheres com cheiro a mel e leite azedo,/ tudo deixado a um canto, à espera de arrumação,/ tal e qual os dias.» (p.21) (DTP) Uma via em que o relato é viabilizado e sabotado pela poesia, que a torna, a um tempo, mais sintético e mais imponderável – «O verão regressa lembrado apenas/ das repetições mais inúteis. O ar/ brinca com a luz, levanta-a ainda/ nos ombros. Em bando e à velocidade/ do grito que queimou esses caminhos/ quase a pique, parecíamos mais.» (p.33) (DVP)

Aqui se revela uma poesia desconfiada do lirismo – «só poemas,/ traições assim, bem delicadas.» (DVP) (p.40) – e do cânone – «Não quero que me façam nenhuma análise do poema.» (GA) (p.63) –; uma poesia que não alimenta brumas, sublimes, outras falhas – «Por aqui se compreende,/ obliterada poética,/ que a poesia não se escreve todos os dias/ se há despesas a liquidar» (LFP) (p.90). Sem literatismo, com um desprendimento que será tudo menos desapego que ignore – «Mas nesse rasgo de luz logo regressa a abominação/ do costume, e tu sentes o gelo dos sonhos,/ a ferrugem dos livros cheios de saliva, o asco/ e a suspeita pregados com chumbo ao peitoril/ dos teus olhos negros que não compreenderão/ jamais como, alguma vez, pudeste escrever/ a palavra vida a seguir à palavra sentido.» (L.F.P.) (p.93) – há uma atitude poética livre de servilismos, da sarna da idolatria – «murchas prateleiras/ de uma biblioteca rançosa» (RW) (p.114). Em inspirada nota final se lê que «a poesia antes de tudo/ é um feroz instinto» (p.151).

Hugo Pinto Santos
Versão aumentada da crítica publicada no suplemento do Expresso, Atual, 11.12.2010

jueves, 11 de noviembre de 2010

Adiós a Carlos Edmundo de Ory

Nos ha dejado el aerolito Carlos Edmundo de Ory, un alma poética inimitable, independiente y brillante. Uno de los poetas españoles más originales de la segunda mitad del siglo XX. Un vate que entendía la poesía como un yoga y una droga.

En tiempos me interesó mucho su poética tan insólita. Me pregunto dónde guardaré la foto que hace años me hice con él. Tengo que peinar la casa en su búsqueda. Entonces me pareció un tipo especial, muy vital y ocurrente. Valga este simpático retrato que Ramón Irigoyen hizo de él en Cielos e inviernos (Hiperión, 1979) a modo de homenaje:



CARLOS EDMUNDO DE ORY

Tiene el calor de un carro de estiércol
y más vida que un tren de lagartijas.
Es inocente como un burrito gaditano
y duerme con una francesa y dos gatos.

Con frecuencia orina leche negra
y sin embargo siempre, incluso en mayo,
en su orina está disuelto el otoño con todas sus hojas.

Dedicó muchas horas a vendar tobillos de murciélagos.

En su ignorancia de poeta cree que Logroño linda con Gerona
y sus libros más queridos son el Cántico Espiritual de Baudelaire y la Divina Comedia de Vallejo.

Es frágil como un pecíolo
y sus palabras ollas de nata.

Sus versos tienen piel de cordero nada cuerdo
y durarán como duraznos.

Se tuvo que ir de España para no morirse de frío.

martes, 19 de octubre de 2010

Criatura, nº 5


El próximo sábado 23 de octubre, en el Bar do Teatro A Barraca de Lisboa, se presenta el nº 5 de la revista de poesía "Criatura", donde nuevamente tengo el honor de aparecer. Como en el número anterior, Diogo Vaz Pinto y Luís Filipe Parrado se han encargado de seleccionar y traducir al portugués una decena de poemas míos, todos ellos (salvo uno) pertenecientes a Fundido en negro. Una vez más les doy las gracias por todo el trabajo realizado.

jueves, 30 de septiembre de 2010

Recuperando una entrevista a Martín López-Vega


Dentro de muy pocos días se publica Adulto extranjero (DVD Ediciones), el nuevo libro de poemas de Martín López-Vega. He tenido la fortuna y la satisfacción de poderle ilustrar la portada.

Tiempo habrá más adelante de profundizar en el poemario. Hoy rescato una entrevista que le realizé hace una decena larga de años con motivo de la publicación de Equipaje de mano (Acuarela Libros, 2000), antología que recogía sus propias versiones de poetas de otras lenguas.

Acaso algunas respuestas de esta entrevista sirvieran para contestar algunas preguntas que plantea Adulto extranjero. O quizás no existan respuestas, sólo preguntas. En la portada de este último libro, un adulto -acompañado de un sempiterno equipaje de mano- vuelve al hogar o se aleja de él. Según Javier Rodríguez Marcos, Martín es cada vez menos asturiano y más de cualquier parte. Así que la duda parece parcialmente despejada.

[Pinchar para ver la entrevista]


martes, 14 de septiembre de 2010

King Pelusa recomienda...

...GRIZZLY BEAR: Ready, Able.


King Pelusa estará poniendo música el sábado 18 de septiembre, a las 23:55 horas, en el 8º Aniversario del Candy Warhol (c/ Bolonia, 28 -ZARAGOZA-).

lunes, 13 de septiembre de 2010

Paisaje con grano de arena (Wislawa Szymborska)

PAISAJE CON GRANO DE ARENA
(POR WISLAWA SZYMBORSKA)

Lo llamamos grano de arena.
Pero él no se llama a sí mismo ni grano ni arena.
Prescinde de nombre
común, individual,
fugaz, duradero,
erróneo o adecuado.

Indiferente a nuestra mirada, al tacto.
No se siente ni visto ni tocado.
Y si cae en el alféizar de la ventana
la vivencia es nuestra, no suya.
A él tanto le da donde caer
sin la certeza de estar cayendo
o de haber caído ya.

Desde la ventana hay una bella vista sobre el lago,
pero esta vista no es capaz de verse a sí misma.
Incolora, informe,
inaudible, inodora
e indolora vive en este mundo.

El fondo del lago nunca toca el fondo,
sus orillas no tienen orillas.
Sus aguas no se mojan ni tampoco se secan.
Las olas no se sienten singulares ni plurales.
Susurran sordas a su susurro
entre piedras ni pequeñas ni grandes.

Y todo sucede bajo un cielo de por sí inceleste,
donde el sol se pone sin ponerse nunca
y sin ocultarse se oculta tras una nube inconsciente,
que el viento alborota por el mero impulso
de soplar.

Transcurre un segundo.
Otro segundo.
Un tercer segundo.
Pero son sólo nuestros tres segundos.

El tiempo ha volado cual mensajero con una noticia urgente.
Pero sólo es un símil por nosotros elaborado.
Personaje inventado, atribuida la prisa,
inhumana la noticia.


[Traducción al castellano de Ana María Moix y Jerzy Wojciech Stawomirski]

domingo, 12 de septiembre de 2010

Cita con Frida Kahlo

“Intenté ahogar mis dolores, pero ellos aprendieron a nadar”.

jueves, 9 de septiembre de 2010

Elena Camacho Rozas acerca de "Fundido en negro"

Mientras ultimo el que debería ser mi próximo libro de poemas, resulta reconfortante comprobar que Fundido en negro (DVD, 2007) va todavía encontrando lectores después de todos estos años.

Elena Camacho Rozas, poeta y doctora en Filología Hispánica, dedica en su blog unas calurosas palabras para Fundido en negro. Desde aquí le doy las gracias.

jueves, 19 de agosto de 2010

"Palabras sobre palabras" según Christian González Díaz


Christian Gónzalez Díaz (escritor, investigador y activista chileno) reseña en su blog la antología, recogida por Julio Espinosa Guerra, Palabras sobre palabras: 13 poetas jóvenes de España (Ed. Santiago Inédito, Santiago de Chile, 2010), en la que tengo el honor de aparecer.

miércoles, 11 de agosto de 2010

King Pelusa recomienda...

... CHERRY GHOST - Kissing strangers.

King Pelusa pinchará música el sábado 14 de agosto, a las 23:55 horas, en Tiger Lily (c/ La Paz, 22) de Zaragoza.

lunes, 2 de agosto de 2010

La situación (Álvaro García)


LA SITUACIÓN
(POR ÁLVARO GARCÍA)

Hablar de nada es, hoy, hablar de mucho.
No va a llover por más que tú analices.
Manténte, pues, a un lado y piensa en Beckett:
no hay nada que decir ni que escribir,
pero es imprescindible expresar eso.

Nadie respira porque le apetezca.
Si las palabras deben respirar,
que emigre este poema hacia sí mismo
y sea el verde sol del árbol solo.
La poesía tal vez sea un oxígeno,

un subir a por aire necesario
para bajar después a lo de siempre.
Te acuerdas de Mondrian y sus silencios,
tan plenos, tan callados, tan hablantes.
Lo mismo que él, solista del color,

tendrías que decir hoy lo que digas.
Que te perdone el día con su urgencia,
que te disculpe el hierro del instante.
Deja la actualidad, que se hace sola,
y ve al presente, que te necesita.


Álvaro García (1965) es un estupendo poeta malagueño. Este poema, quizás uno de los más conocidos de su obra, es todo un hallazgo como poética, con un remate excepcional en los cuatro últimos versos. Creo que la poesía, efectivamente, es un oxígeno necesario.

sábado, 31 de julio de 2010

Cita con Enrique Jardiel Poncela

"Lo vulgar es el ronquido, lo inverosímil, el sueño. La humanidad ronca, pero el artista está en la obligación de hacerla soñar o no es artista."

viernes, 30 de julio de 2010

Poisson Soluble, nº 2

Pierre D. La, artífice del pasquín Poisson Soluble, me solicitó un texto para su publicación en el nº 2, que acaba de salir estos días. Desde aquí le doy las gracias. El tema era el tiempo, así que pensé que mi poema "Los relojes del British Bar de Lisboa" le iba que ni pintado.

lunes, 19 de julio de 2010

Un video-poema de Billy Collins



Un poema del poeta norteamericano Billy Collins animado por Julian Grey of Headgear.
La traducción al español es de Eduardo Moga.

domingo, 18 de julio de 2010

martes, 13 de julio de 2010

Varia Poesía




Sábado 17 de julio

Albergue Zaragoza La Bóveda

C/ Predicadores, 70 (Zaragoza)

a las 21:00 horas

JESÚS JIMÉNEZ DOMÍNGUEZ

MIGUEL ÁNGEL ORTIZ ALBERO

RICARDO DÍEZ PELLEJERO

jueves, 1 de julio de 2010

King Pelusa recomienda...

ANGUS & JULIA STONE: Big Jet Plane

King Pelusa pondrá música:

-El sábado 3 de julio a las 23:45 horas en Tiger Lily (c/ La Paz 22, ZARAGOZA).

-El sábado 17 de julio a las 23:45 horas en Candy Warhol (c/ Bolonia 28, ZARAGOZA).

sábado, 26 de junio de 2010

Horacio Eloy acerca de "Palabras sobre palabras"

Horacio Eloy

El poeta chileno Horacio Eloy escribe unas líneas en el portal cultural "Pluma y pincel" acerca de la antología Palabras sobre palabras: 13 poetas jóvenes de España (Ed. Santiago Inédito, Santiago de Chile, 2010).

jueves, 24 de junio de 2010

El entierro del poeta (Luis Rogelio Nogueras)



EL ENTIERRO DEL POETA

A Víctor Casaús


Dijo de los enterradores cosas francamente impublicables.
Blasfemaba como un condenado
y a sus pies un par de águilas lloraban pensando en las derrotas.
En el entierro estaba Lautrèamont,
yo lo vi desde mi puesto en la cola:
dejaba el sombrero al borde de la tumba
y cantaba algo triste y oscuro
(lloraba honradamente, ya lo creo, y los caballos devoraban higos en silencio).

Hubo discursos,
sonrisitas de Rimbaud junto a la cruz,
paraguas abiertos a la lluvia como
a él le hubiera gustado.
Hubo más:
hubo viernes
y canciones funerarias,
palomas que volaban sin sentido, como niños,
versos oscuros,
la hermosa voz de Aragon,
suicidios deportivos de Georgette y nunca más y hasta siempre.
A la hora más triste del asunto
no quería bajar porque decía que allí estaba oscuro.
Pero estaba muerto y hubo que bajarlo.
Los sombreros abandonaron las cabezas,
se alzaron copas, adioses, letreros de nunca te olvidaremos.
(Un joven poeta a mi derecha le mesaba las rodillas
a la muerte).
Lo bajaron.
Se aplaudió de forma delirante;
la gente corría como loca asumiendo lo grave del momento.
Lo bajaban.
Las mujeres lloraban en silencio
porque bajaban las águilas, los sueños, países enteros a la tierra.
Se intentó una última sentencia:
Nerval se acercó con una tiza y escribió con letra temblorosa:
Su cadáver estaba lleno de mundo.
Desde el fondo, Vallejo sonreía sin descanso pensando en el futuro,
mientras una piedra inmensa le tapaba el corazón y los papeles.



[Luis Rogelio Nogueras (1944-1985) fue poeta, narrador, asesor literario y cineasta cubano. Conocido bajo los apelativos de Wichy y El Rojo. Licenciado en Letras por la Universidad de La Habana. Miembro fundador de la revista “El Caimán Barbudo”. En 1967 obtuvo el premio David, de la Unión Nacional de Escritores y Artistas de Cuba, en su primera convocatoria con su libro Cabeza de Zanahoria. En 1976 su novela El cuarto círculo, escrita en colaboración con Guillermo Rodríguez Rivera, obtuvo el primer premio en el Concurso Aniversario del Triunfo de la Revolución del Ministerio del Interior. En 1977 su novela de espionaje Y si muero mañana obtuvo el Premio UNEAC de novela Cirilo Villaverde. Además de su labor como poeta y narrador Nogueras se desempeñó como guionista y coguionista de varias películas cubanas, entre ellas El Brigadista, Guardafronteras y Leyenda.]

miércoles, 16 de junio de 2010

Clausura del II Ciclo de poesía "Madrid: una ciudad, muchas voces"





Entrevista con Víctor de la Torre, Presidente de la ONG "Promoviendo", organizador del II Ciclo de Poesia "Madrid: Una ciudad, muchas voces".

En la foto: Gabriel y Roma Zanetti, Santiago Méndez Alpízar, Diego Palmath, Cecilia Quílez, Jesús Malia, Ana Martín Puigpelat, Jesús Jiménez Domínguez, Óscar Pirot, Raúl Campoy y José Cereijo.

miércoles, 9 de junio de 2010

Jesús Jiménez Domínguez entrevista a King Pelusa

King Pelusa: dale que dale al botón.



(Fragmentos de la entrevista que aparecerá próximamente en la edición japonesa de la revista Rolling Stone)



PREGUNTA: Hace un año aproximadamente que no pinchabas música en los tugurios de Zaragoza. ¿Era absolutamente vital que volvieras?

RESPUESTA: Siempre se vuelve al lugar del crimen. Y desde que el vídeo mató a la estrella de la radio no ha habido más que funerales en la industria de la música. Funerales, por otra parte, cada vez más divertidos y más multitudinarios.



P: Si el Festival de la OTI producía otitis, ¿qué produce el sueño de Eurovisión?

R: Monstruos. Con muchos participantes de las últimas ediciones se podría hacer el casting del remake de la peli Freaks de Tod Browning.



P: Este es un blog que se pretende literario, pero dicen las malas lenguas que el único libro que tienes en casa es el Libro de Familia.

R: Falso. Literatura y música pueden ser compatibles ¿No has oído nunca el dicho popular de “Aquí paz y después gloria?” No tiene por qué ser en ese orden, claro. Pero sí, en la misma frase puedes juntar a Octavio Paz y a Gloria Gaynor sin que suene pretencioso ni nadie se mosquee.



P: Tus detractores dicen que apenas te mueves a los mandos de la mesa de mezclas cuando pones música, que eres más frío que un lunes de guateque en el Polo Norte ¿Es verdad que eres un poco autista?

R: ¿Autista? En absoluto. Nunca he sido fan de Luis Eduardo Aute.



P: ¿Con qué tema sueles cerrar tus sesiones?

R: Durante un tiempo lo hacía con “Calling Occupants of Interplanetary Craft” de The Carpenters. Todo un encuentro (acaramelado, eso sí) en la Tercera Fase. Llegué a sentirme totalmente abducido por esa canción, no me preguntes por qué.



P: ¿Qué fue de su agria polémica con Smerado Dj?

R: Éramos totalmente incompatibles como pareja. En ocasiones la cabina de la mesa de mezclas parecía el camarote de los hermanos Marx. Había allí dentro más gente que discos. Y más de una vez lo sorprendí bajándome el sonido o apretando el random cuando pinchaba yo.


P: ¿Qué piensas de los bootlegs, esa práctica de remix que consiste en yuxtaponer diferentes temas -una base y una línea vocal, por ejemplo- para crear una nueva pieza?

R: ¡Lucy in the Sky with Neil Diamond! Es divertido y hay gente que lo hace muy bien.



P: Si pudieras elegir, ¿qué canción sonaría el día de tu boda? ¿Y cuál el día de tu funeral?

R: En mi improbable boda sonaría “Ladies and gentlemen, we are floating in space”, de Spiritualized, una especie del Canon de Pachelbel pasado por el pasapuré del LSD. Para mi funeral “There is a place in hell for me and my friends” de Morrissey. Resulta muy enternecedor y entrañable desear estar rodeado de amigos en el sitio donde todos vamos a ir a parar. Y más si ese sitio es el infierno. Lo malo es que ya no podré estar con todos mis sentidos atentos para escucharla por última vez.



King Pelusa estará poniendo música:
-El sábado 12 de junio en Tiger Lily

-El viernes 18 de junio en Bar Bacharach

-El sábado 19 de junio en Candy Warhol

-El sábado 26 de junio en Candy Warhol

martes, 8 de junio de 2010

Un diálogo inconcluso. Comentario a “Palabras sobre palabras”


Comentario a
Santiago de Chile, marzo, 2010.
Por Hugo Quintana Q.,
Editor de Ortiga Ediciones.

Hace más o menos, unos 12 años, llegaron a mis manos dos hermosas y hasta ahora memorables antologías. Ambas incursionaban en una tradición poética de la cual desconocía trazos importantes, así que para el momento, fueron objeto de asombro, y aún ahora lo son.

Un viejo amigo me presentaba a un compañero suyo del Magíster en Literatura de la Universidad de Chile, Jorge Eduardo Arellano, quien –en aquella época- se desempeñaba como Embajador de Nicaragua en nuestro país. Al responder a una invitación a su oficina para continuar la charla literaria, le vimos acercarse a uno de los escaparates atestados de libros. Acto seguido tomó dos. Se trataba de versiones antológicas de la poesía nicaragüense. Una había sido construida por él mismo, mientras que la otra había sido construida por Ernesto Cardenal.

Nuestro asombro y agradecimiento fue mucho, porque la visión que nos entregaron esos textos, a modo de panorámica, nos había hecho descubrir todo el esplendor de la tradición nicaragüense, varios nombres que no existían para nosotros, pero que a partir de allí, se han convertido en referentes habituales, sitios a los cuales se vuelve con gusto cada cierto tiempo.

Y esa fue la sensación al encontrarme con la lectura de Palabras sobre palabras: 13 poetas jóvenes de España. La del asombro.

Pasa que no nos hemos informado debidamente de cuanto está ocurriendo con la poesía española actual. De no ser por un par de nombres, nos encontraríamos en el naufragio más total.

No obstante, esta edición viene a rescatarnos de algo que nos debiera avergonzar a priori. Algo que, en todo caso, tampoco ha sido completa culpa nuestra, ya que los vaivenes del negocio editorial a nivel de habla hispana, tampoco han incursionado de manera exhaustiva en estas otras poéticas, que siendo nuevas, y que transitando al borde del cánon de producto consumible, se han dado a la tarea de crear, de hacer poiesis, en el sentido estricto del término, para ofrendar resultados que buscan fervorosamente otorgarle un horizonte de expectativas a una actividad que parecía, estaba durmiendo la larga siesta de la autocomplacencia.

Esa es la novedad, una panorámica que nos advierte acerca de la inconformidad que también se vivía al otro lado del Atlántico, y que era tan real como la nuestra. ¿Los por qués?. Bueno, fácil. Casi nulo acceso a publicaciones, al apoyo editorial, a los financiamientos, a destacar en concursos donde habitualmente se hace una puesta en escena para glorificar a herederos de estilos que vengan a refrendar los circuitos de poder al interior del establishment de la literatura consolidada. La endogamia típica de todo discurso de poder, y del cual la poesía no ha estado ajena, por cierto.

Al amparo de la academia, encunados desde los salones universitarios es que se han lanzado las nuevas generaciones a la conquista de espacios nuevos. Se habló de “bordes”, de “los márgenes” –o marginales-, de “emergentes”, de neobarroquismo, de neo-larismo, neo-neovanguardismo, etc. Lo cierto es que las nuevas tecnologías, como las revistas literarias digitales, publicaciones on-line y el surgimiento de micro-editoriales, han abierto un escenario paralelo.

Y no es que las grandes editoriales o el negocio del libro vayan a tambalear por semejantes apariciones. Es que sencillamente, los que buscamos un algo más, nos congratulamos de que hayan otros, en la misma sintonía, en tan diversos lugares. Es lo que el responsable de esta selección y prólogo, de esta muestra –en definititva-, ha intentado graficarnos al recordarnos acerca de la existencia de “un diálogo universal y contemporáneo en torno a la poesía moderna”, cita que toma de Hans Magnus Enzensberger.

Palabras sobre palabras resume de alguna manera la trayectoria de lector-investigador y activo participante de Julio Espinosa Guerra (1974), poeta chileno radicado en España (Zaragoza, para ser más específico aún), en los circuitos literarios de la península ibérica. Ganador de un par de concursos de relevancia internacional, es además responsable de una hermosa y muy cuidada antología de poesía chilena editada por Visor en el año 2005, La poesía chilena del siglo XX, que las emprende sobre la producción nacional de la segunda mitad del siglo anterior, con toda su diversidad y riqueza estética y vital.

En esta ocasión, selecciona a trece poetas españoles jóvenes, tomando como coordenada inicial el hecho de que ninguno de los elegidos haya sobrepasado las cuatro décadas, pero que a su haber, cuente con publicaciones y una trayectoria capaz de exponer una voz propia más o menos definida. De esta manera, nos presenta una síntesis de cada uno que nos permite observar cierta coherencia en su quehacer escritural, vale decir, que cada muestra es representativa del trabajo, del proyecto de obra que cada autor espera consolidar en su actuación como poeta.

Esto que parece una simpleza, es lo que siempre me ha molestado de las “antologías” en general, debido a que eso de hacer “selecciones” muchas veces desconfigura la imagen ideada, haciéndonos ver aciertos que, tomados quizás de aquí o de allá, no dejan entrever algún grado de ligazón ni en la muestra de cada caso, ni en la panorámica presentada. Una antología debe ser un poco más que un mix de papelitos picados.

Por eso son pocas las antologías que realmente le quedan a uno en la retina.

En esta muestra –por ejemplo-, es difícil desanudar, desmadejar lo fraguado con paciencia y cuidado por el responsable de esta selección: Marta Agudo Ramírez, Marcos Canteli, Óscar Curieses, Benito Del Pliego (a quien ya conocíamos gracias a la revista Heterogénea de poesía que mantenía Julio a manera de Blog), Patricia Esteban, Ana Gorría, Jesús Jiménez Domínguez, Luis Luna, Julia Piera, Goretti Ramírez, Julio Reija, Sandra Santana y Julieta Valero nos instigan a una visita plácida a sus diversas formas de encarar el difícil arte del oficio escriturario, donde todos escenifican opciones y búsquedas distintas, y donde se puede avizorar además, preocupaciones comunes, destellos de aquel diálogo universal a que se hacía referencia en un párrafo anterior.

Llama la atención la capacidad de arriesgarse hacia un algo más de estos autores, aspecto común en todos, la no-conformidad, el autoexilio del cánon, de los facilismos, de las complacencias de una poesía más cercana al objeto de consumo que se apropiaba pobremente del material con que se construía. A propósito de esto, una de las líneas reconocidas en el texto de presentación, es la preocupación por el lenguaje (la relación entre las palabras y las realidades que designan, problemática inaugurada por Foucault en 1966), dejándonos entrever la crisis que toda la teoría postmodernista ya ha descrito hasta el cansancio, y que no hace más que revelar que se trata de una preocupación más academicista, que de la poesía propiamente tal, y que dan un aviso acerca de las discusiones que deben estar presenciándose en el contexto literario español.

Es por ello que esta muestra es tan valiosa. Porque nos confirma algo que acá también era materia de atractiva discusión.

Por último, quisiera resaltar el alto nivel poético de los autores presentados. Pese al paladar que cada uno pueda tener como lector, o de las preferencias particulares, nos queda a modo de conclusión que se asiste a un saludable espectáculo. Y quién sabe si más de alguno de ellos, deja entre sus manos, o incrustado en su retina, trozos o fragmentos de aquella brisa esquiva que solo deambula donde quiere: la poesía.

domingo, 6 de junio de 2010

Homenaje a Miguel Hernández


Sábado 12 de junio de 2010 a las 12:15 h.
Centenario del nacimiento de Miguel Hernández
Kiosco de la Música, Parque Grande de Zaragoza
Fiesta del PCA

Lectura de poemas de Miguel Hernández a cargo de Marcos Ana, Brenda Ascoz, Túa Blesa, Ángel Guinda, Jesús Jiménez Domínguez, Elvira Lozano, Marta Navarro, Miguel Ángel Ortiz Albero, Alfredo Saldaña, Nacho Tajahuerce, Luis Yrache y Miguel Ángel Yusta.

En primera fila, de izquierda a derecha: Túa Blesa, Jesús Jiménez Domínguez, Miguel Ángel Ortiz Albero, Alfredo Saldaña, Nacho Tajahuerce y Luis Yrache.

viernes, 4 de junio de 2010

Presentación de "El idiota entre las hierbas", de Dolan Mor

Trinidad Ruiz Marcellán, Dolan Mor y Jesús Jiménez Domínguez
Biblioteca de Aragón (Zaragoza, 27 de mayo de 2010)
Foto: Columna Villarroya

Dolan Mor es uno de los pocos poetas que conozco cuya manifiesta timidez como persona es inversamente proporcional a su ego como poeta, enfermedad incurable esta del ego que muchos padecemos. Tal vez ello se deba a que -poema a poema, obra tras obra- se ha entregado silenciosamente a la higiénica y ardua tarea de destruir, de matar al “yo”. O lo que es lo mismo, de desaparecer en el “otro”. Y esto me consta que lo lleva a rajatabla, pues sabemos a ciencia cierta (o no) que en realidad Dolan Mor no se llama Dolan Mor.

Si “el poeta es un fingidor”, como dijo Fernando Pessoa (quizás el mayor y más famoso ejemplo de producción de heterónimos), también Dolan lo es a su manera, pues sigue al pie de la letra la famosa sentencia de Rimbaud: “yo es otro”. Sabe Dolan que el “yo” no es unidad sino al revés: fragmentación. En consecuencia no hay búsqueda posible de la verdad, sino de la más certera de las mentiras.

La “otredad” es para el hombre moderno un mal que se soporta dolorosamente: la conciencia moderna no acepta que su individualidad sea una realidad plural y que detrás del hombre que piensa se esconda otro que mantiene una vida "ilógica", que sostiene a menudo lo que la razón reprueba. Por eso, la obra de Dolan Mor -desgranada en ya numerosos títulos- es, en consecuencia, el trabajo de un fingidor que desenmascara, de un “embustero” que acierta, de un rastreador que borra sus propias huellas en la escritura. Es el suyo un ambicioso proyecto que parte del recurso de la heteronimia para abordar diferentes esferas poéticas que tienen en el problema de la identidad y en la indagación del lenguaje dos de sus puntos más sobresalientes.

Si sus dos primeros libros (El plagio de Bosternag y Seda para tu cuello) abordaban y desmontaban la etiqueta del malditismo por medio de la amplificación -a menudo irónica- de voces miméticas a las de Leopoldo María Panero o Antonin Artaud, los tres siguientes (Nabokov’s Butterflies, Los poemas clonados de Anny Bould y El libro bipolar) inauguraban una etapa de libros más narrativos y el punto de mira del francotirador paródico se trasladaba hacia el realismo norteamericano vía Raymond Carver y la literatura beat.

Sus dos últimos libros hasta la fecha (La novia de Wittgenstein y El idiota entre las hierbas) pertenecen a una etapa que denominaríamos “del lenguaje”. El primero de ellos es libro metalingüístico por excelencia. Aquel que, parafraseando el famoso poema de Roberto Juarroz, nos habla del lenguaje poético como de una fiesta desoladora en la que no hay nada ni nadie: “En el centro de la fiesta / está el vacío / Pero en el centro del vacío / hay otra fiesta”.

He citado este poemario antecesor al que hoy presentamos porque me parece que El idiota entre las hierbas es su reverso, el envés de una pretendida poética del silencio, pues planea en éste la sombra barroca y exuberante de Lezama Lima, seguramente uno de los mayores exponentes sudamericanos del horror vacui poético.

En este libro la voz del autor, mediante un alter ego llamado José María Mallosa que tiene bastante que ver con la propia biografía de Dolan Mor (como luego veremos), disuelve sus propias palabras hasta las últimas posibilidades del lenguaje. Aquellas que le permiten escribir “He abierto un agujero invisible en la hoja” para, seguidamente, escanearla y mostrarla al lector a modo de coartada de su propia desaparición. Aquellas que le permiten violar las reglas ortográficas siguiendo los patrones de los mensajes de telefonía móvil como en el poema que cierra el libro. Aquellas que le permiten jugar, en una ludopatía desenfrenada, con el lenguaje y sus sonidos (“de labio velosino belo al vino”, “la venia de venal vamos vejuino”, “labro en liebre la libra de oro”). Aquellas que le permiten inventarse palabras a la manera del también cubano Mariano Brull para crear realidades fantasmales o paralelas ("gardeniano", "clitoral", "celdanieve", "trasgueado") o forjarse identidades imposibles cercanas a la cosificación o el animismo: “Me siento un femural de noche= cuando escribo= sé que no existe / la palabra pero me la invento”.

El yo deviene en metamorfosis post-larvaria (también la escritura y el poema lo son), una metamorfosis que se desarrolla por debajo incluso del escalafón del escarabajo samsiano para acabar siendo uno más de los insectos dípteros de El Señor de las moscas de William Golding, posado -eso sí- sobre el escaparate cotidiano de un mundo occidental vendido al consumismo más salvaje en uno de los poemas con más carga de denuncia social del libro.

En estos extrañamientos del lenguaje y de la identidad, la voz o sinfonía de voces que recorren los poemas reconocen el estado de angustia al que remite el pensamiento, no hallan ninguna satisfacción en la capacidad cognitiva sino una lucha desigual contra la naturaleza y el destino del ser humano, lucha que es cada vez más cruel en tanto al hombre no le es dado “no pensar”. Esa es su tragedia: ir hacia el final de cada pensamiento hasta encontrarse totalmente indefenso, sin salida: “Un aleteo de llaves ya se oyen: / Las manillas doradas que se acercan= / que llegan con los pomos y nos cierran.”

Estas técnicas de desvío o extrañamiento, recogidas ya por el formalismo ruso, son a consecuencia de que la cotidianidad hace que los objetos y situaciones pierdan frescura frente a nuestra percepción. Dolan Mor logra desautomatizar esas percepciones sensoriales por medio de la metáfora. Si El idiota entre las hierbas es una obra literaria de primer orden, originalísima, no es -claro está- por su cantidad de metáforas, sino por la desautomatización que hace de las mismas; pues buscan la manera de presentar las cosas como nunca vistas, singularizándolas, sacándolas de su contexto para hacerlas llamativas.

El idiota entre las hierbas es así, con total seguridad, el libro más arriesgado de Dolan hasta la fecha, el más complicado, donde el autor alcanza las más altas cotas de experimentación. En sólo 13 poemas (número simbólico de la desgracia, pues es también el número que representa a la Muerte en el Tarot) la transgresión traspasa lo puramente formal de los signos de puntuación, esos signos aritméticos de “=” que paradójicamente acercan el poema a una fórmula matemática sin solución posible.

El libro es un extraño artefacto de hibridación, una potente hormigonera poética que trabaja con materiales y recursos de muy diversa naturaleza y procedencia: apropiaciones poéticas de Stephane Mallarmé, Franz Kafka o William Carlos Williams, pero también falsas citas (“No pudráis más la rosa con la escarcha”), ritmos sincopados que parecen provenir del jazz de Roberto Fonseca (silenciosa banda sonora del libro), transexualidades poéticas, transmigraciones de escenarios que llevan Zaragoza a orillas del río Moldava y viceversa, manuscritos apócrifos, fotografías que rozan el concepto del poema visual…

Dolan entierra la idea aristotélica de lo que en la antigüedad clásica se entendió como material susceptible de construir un poema. En consecuencia rompe con los géneros, los rumia, los aglutina, los disuelve, los escupe. Acude también al autobiografismo de una manera muy sutil y fragmentaria, como si rompiera el espejo de la realidad y hubiera esparcido unos pocos segmentos en los poemas. Sabemos así que José María Mallosa, trasunto de Dolan Mor y voz espectral en los poemas, fue también cubano y estudiante de Medicina Veterinaria como Dolan, que nació en 1968 (año de la Primavera de Praga) como Dolan, que emigró a Rusia (Dolan pidió asilo en la embajada española en Moscú), que disfrutó del magisterio poético de Joseba Sarriandía ignorando que era un preso de ETA fugado de la cárcel de Martutene, aquel mismo que inspiró la famosa canción “Sarri, Sarri” de Kortatu.

¿Es El idiota entre las hierbas el libro más autobiográfico de Dolan Mor o es, por el contrario, Dolan Mor la imagen fragmentaria de una ficción que devuelve ese espejo roto? El idiota entre las hierbas juega con una técnica especular de luces y sombras. De menos luces que sombras, pues sin duda oculta más de lo que muestra.

Así, El idiota entre las hierbas resulta, en fin, el último episodio poético, la última estación hasta la fecha del complejo proyecto de viaje al que Dolan Mor se viene entregando incansablemente. Partiendo de un sutil juego de heteronimia, recurso con el que el autor ha construido no sólo toda su obra sino una identidad poliédrica como si de un gigantesco autorretrato cubista se tratara, Dolan parte en busca de otros yoes con que completar una de las más notables e inagotables geografías humanas del alma que uno ha leído en poesía en muchos años.

JESÚS JIMÉNEZ DOMÍNGUEZ

jueves, 3 de junio de 2010

Un poema de Anise Koltz

Peces abisales
las frases mueren
en cuanto suben
a la superficie


[Traducción al castellano: José M. G. Holguera]

miércoles, 2 de junio de 2010

"Arar"

Arar es un vídeo de Javier López Clemente inspirado en el poemario homónimo de Ángel Gracia (Prames, Zaragoza, 2010). Colaboran los poetas Miguel Ángel Ortiz Albero, Alfredo Saldaña, Jesús Jiménez Domínguez, Miguel Serrano, Nacho Tajahuerce, Brenda Ascoz y Sofía Díaz.

martes, 1 de junio de 2010

"Palabras sobre palabras. 13 poetas jóvenes de España"

Palabras sobre palabras: 13 poetas jóvenes de España,
Santiago Inédito, Santiago de Chile, 2010.
Selección y prólogo: Julio Espinosa Guerra.

Poemas de Marta Agudo Ramírez, Marcos Canteli, Óscar Curieses, Benito del Pliego, Patricia Esteban, Ana Gorría, Jesús Jiménez Domínguez, Luis Luna, Julia Piera, Goretti Ramírez, Julio Reija, Sandra Santana y Julieta Valero.

UNA MIRADA A LA CARRETERA (Palabras finales)
por Julio Espinosa Guerra

La poesía española más reciente se está removiendo un pesado legado de referencialidad y normalización que durante décadas ha dominado las poéticas del país a través de lecturas sesgadas de sus pares latinoamericanos y anglosajones, críticas antojadizas y editoriales más preocupadas de crear un producto fácil de entender que de publicar autores que realmente estén implicados con el lenguaje.

Esta selección de trece poetas intenta mostrar ese nuevo panorama que ha puesto en duda el discurso oficial, ampliando las lecturas de la realidad y, por tanto, su escritura, tanto desde la semántica como desde la sintaxis, pasando por lo sonoro y lo visual, y hermanándolo con los discursos latinoamericanos actuales para intentar hacer verdadero el pronóstico que hace casi cincuenta años formuló Enzensberger y, también, por qué no decirlo, desenterrar la visión de que la poesía española es mala. Al contrario, no sólo no lo es, sino que perfectamente podemos dialogar con ella de igual a igual, intercambiando miradas que no hacen otra cosa que completar, aunque sea precariamente, aquellas zonas mudas del decir.

No se trata de canonizar ni normalizar ningún discurso, sino de darle visibilidad a una serie de poéticas emergentes y heterogéneas que beben y (re)leen de la mejor tradición poética española, latinoamericana y universal; compañeros circulando por las mismas carreteras secundarias que nosotros y que el actual sistema editorial español, que avanza por las autopistas de los libros más vendidos, de best seller poéticos, en su afán de transformar todo lo que toca en un producto fácil de entender, fácil de comercializar, no nos deja ver.

Julio Espinosa Guerra. Junio de 2008. Zaragoza.

domingo, 30 de mayo de 2010

Cita con Marguerite Duras

"El mejor modo de llenar el tiempo es gastándolo."

sábado, 29 de mayo de 2010

Firmas en la Feria del Libro de Zaragoza


El próximo sábado 5 de junio estaremos Miguel Ángel Ortiz Albero, Dolan Mor, Manuel M. Forega y yo firmando libros (o esa es la idea) en la Feria del Libro en Zaragoza (Paseo Independencia), concretamente en la caseta de la editorial Olifante.

Dolan Mor, Jesús Jiménez Domínguez y Ricardo Fernández Moyano.
Detrás, Miguel Ángel Ortiz Albero e Ingrid Magrinya.

viernes, 28 de mayo de 2010

Las máscaras del lenguaje

Dolan Mor

El poeta malagueño Rafael Pérez Estrada decía que un poema “es sólo el espejismo del poema que nunca llegaremos a escribir”. Espejismos, juegos de espejos y especulaciones sin fin hay en los dos últimos poemarios de Dolan Mor, La novia de Wittgenstein y El idiota entre las hierbas, libros que abren un nueva etapa (a él le gusta denominarla “del lenguaje”) en la personalísima poesía de este cubano exiliado en Zaragoza. En La novia de Wittgenstein hay especulación metapoética a partir del Tactatus Logico-Philosophicus del lingüista vienés. Es un largo poema con tintes de monólogo filosófico-ensayístico donde el autor medita fragmentariamente acerca del oficio de escritor y del valor poético de la palabra para, finalmente, encontrarse de bruces con la inefabilidad del poema, con la sombra alargada de Derrida (“Todo verdadero poema corre el riesgo de carecer de sentido, y no sería nada sin ese riesgo”) y, cómo no, con la épica igualadora del silencio: “lo inefable se nombra / con la dificultad / de saber que no hablas / porque sólo los mudos / escriben lo invisible / con su bello discurso / encima de la arena”.

Por el contrario, en El idiota entre las hierbas asistimos a un sutil juego de heteronimia, recurso con el que el autor ha construido no sólo toda su obra sino una identidad poliédrica como si de un gigantesco autorretrato cubista se tratara. Si en La novia de Wittgenstein el poeta se preguntaba acerca de la identidad de la palabra poética, en este libro se va en busca de la identidad del hombre como ser arrojado al mundo, indefenso y abocado al fracaso en una sociedad que lo aliena sin remedio (“Hombre es igual a ruina= sumes con quien / lo sumes= Acaso un día aspiraré a llegar / en mis sueños a no ser una mosca=”). Los recursos son otros: si en La novia de Wittgenstein había tuétano, verso corto y continencia en el decir o no-decir, en El idiota entre las hierbas hay músculo, barroquismo y exuberancia vía Lezama Lima. La experimentación alcanza sus cotas más altas en el caudal de materiales y recursos poéticos: citas literarias (verdaderas o falsas), fotografías intercaladas que parecen entroncar con el poema visual, manuscritos apócrifos, destrucción del lenguaje o aspiración a (re)construir uno nuevo. Se recurre al extrañamiento, a la metamorfosis y al cripticismo para dibujar el perfil de una voz fantasmal que contiene no pocas confidencias autobiográficas del autor.

Ambos libros, La novia de Wittgenstein y El idiota entre las hierbas, resultan, en fin, los últimos episodios poéticos hasta la fecha del complejo proyecto al que Dolan Mor se viene entregando incansablemente. Libros que, basándose en la heteronimia (“Todo poeta es un fingidor”, decía Fernando Pessoa), parten en busca de otros yoes con que completar una de las más notables e inagotables geografías humanas del alma que uno ha leído en poesía en muchos años.


JESÚS JIMÉNEZ DOMÍNGUEZ
(reseña en "Heraldo de Aragón", 27-05-2010)

sábado, 22 de mayo de 2010

“Madrid: una ciudad, muchas voces”. II ciclo de poesía iberoamericana


Miércoles 26 de mayo, 19:00 h.
Secretaría General Iberoamericana



PRIMERA MESA


Ana Gorría (España)

Miguel Ildefonso (Perú)

Beatriz Russo (España)


SEGUNDA MESA


Sayak Valencia (México)

Rómulo Bustos Aguirre (Colombia)

Julieta Valero (España)


Moderador: Rodrigo Galarza



Jueves 10 de junio, 19:30 h.
Centro Hispano Centroamericano



PRIMERA MESA


Arturo Borra (Argentina)

Blanca Morel (España)

Jorge Olivera (Uruguay)

Alfonso López (España)


SEGUNDA MESA

Lourdes De Abajo (España)

Bárbara Butragueño (España)

Pedro Montealegre (Chile)


Moderador: Jesús Malia




Jueves 17 de junio, 19:30 h.
Centro Hispano Centroamericano




PRIMERA MESA


Raúl Campoy (España)

Gabriel Zanetti (Chile)

Santiago Méndez Alpízar (Cuba)

Jesús Jiménez Domínguez (España)


SEGUNDA MESA

Diego Palmath (Perú)

Ana Martín Puigpelat (España)

Marcos Canteli (España)


Moderador: Cecilia Quílez

jueves, 20 de mayo de 2010

Diatriba contra los muertos (Ángel Gónzalez)

Con Ángel González (Valdepeñas, 2006)

DIATRIBA CONTRA LOS MUERTOS

Los muertos son egoístas:
hacen llorar y no les importa,
se quedan quietos en los lugares más inconvenientes,
se resisten a andar, hay que llevarlos
a cuestas a la tumba
como si fuesen niños, qué pesados.
Inusitadamente rígidos, sus rostros
nos acusan de algo, o nos advierten;
son la mala conciencia, el mal ejemplo,
lo peor de nuestra vida son ellos siempre, siempre.
Lo malo que tienen los muertos
es que no hay forma de matarlos.
Su constante tarea destructiva
es por esa razón incalculable.
Insensibles, distantes, tercos, fríos,
con su insolencia y su silencio
no se dan cuenta de lo que deshacen.

lunes, 17 de mayo de 2010

Presentación de "El idiota entre las hierbas", de Dolan Mor

Presentación de
El idiota entre las hierbas
de Dolan Mor

Editado por Olifante

Interviene, además del autor,
el poeta Jesús Jiménez Domínguez

Jueves, 27 de Mayo de 2010
19:30 horas

Sala Polivalente
Biblioteca de Aragón
C/Doctor Cerrada 22
ZARAGOZA

sábado, 15 de mayo de 2010

Cita con Oscar Wilde


" A mí dadme lo superfluo, que lo necesario todo el mundo puede tenerlo. "

martes, 4 de mayo de 2010

2ª Muestra de Pop-Rock y Otros Rollos: Programación de poesía



La 1ª Muestra de pop, rock y otros rollos marcó un antes y un después en la movida musical zaragozana. Celebrada en 1984, se convirtió en un inmenso escaparate de grupos locales en un evento que duró tres días y que tuvo como escenario el Pabellón Francés. Ahora, 26 años después, se recupera el nombre y el espíritu en la muestra 2010. La idea es mostrar al público la cantidad y calidad de las propuestas culturales actuales respecto de 1984.

En el apartado no musical, habrá espacio para la literatura, fotografía, videoclips, moda, cómic, humor, teatro y danza, entre otras manifestaciones.

En La Campana de los Perdidos, a partir de las 22:00 horas, los días 6, 7 y 9 de mayo tendrán lugar distintos recitales poéticos.

Este es el programa:

Jueves 6 de mayo: Novísimos o generación del lenguaje.
Presentado por Manuel Forega. Contará con la presencia de los siguientes poetas:

1. Manuel Forega
2. Miguel Ángel Yusta
3. Fernando Sarría
4. Luisa Miñana
5. María José Castejón
6. Eduardo Fariña
7. Diego Palmath
8. Anais Pérez

Viernes 7 de mayo: Postnovísimos.
Presentado por David Mayor. Contará con los siguientes poetas:

1. David Mayor
2. Julio Espinosa
3. Loli Bernal
4. Fernando Sanmartín
5. Jesús Jiménez Domínguez
6. Pilar Peris
7. Rafael Luna

Domingo 9 de mayo: Generación fin de siglo.
Presentado por Octavio Gómez Milián. Contará con los siguientes poetas:

1.Octavio Gómez Milián
2. Enrique Cebrián
3. Ana Muñoz
4. Nacho Tajahuerce
5. Carmen Ruiz
6. Jl. Saldaña
7. La Europa del Aborigen
8. Cristian Peribáñez

miércoles, 21 de abril de 2010

"Arar", un libro de Ángel Gracia



Podría decirse, sin miedo a equivocarse, que el nuevo libro de Ángel Gracia es un eslabón más de la obra en marcha, del work in progress, que el autor inició con Valhondo, libro éste fundamental (a mi modo de ver) en la última poesía aragonesa. Estaba ya en Valhondo el mundo personal de Ángel aunque de forma más embrionaria, más condensada, y quizás también algo más críptica. Tirando de los flecos poéticos de aquel libro, ensanchando los límites que ofrecía, Ángel dio luego a luz Libro de los ibones y hace ahora lo propio con Arar.

En Arar, Ángel Gracia explora nuevas zonas de la serenidad. El libro es una sosegada y, finalmente, feliz contemplación. Quien habla a través del yo poético, se encuentra ante el prodigio y el misterio de la vida y los contempla con admiración. Arrebatado, pero sereno en la aceptación de una existencia y un destino humano desoladores. Ángel Gracia ha desarrollado un discurso y un tono ligeramente diferentes (más cercanos, más humanos y menos simbólicos) en poemas muy concretos del libro, como en el magnífico “Fuente de los machos”, donde niño y padre pasean y éste último le muestra los misterios del mundo para acabar con una justicia poética del cariz de "el mundo está bien hecho porque lo hizo mi padre" (pág. 31).

Evidentemente, el título del libro, Arar, tiene (además de la obvia) una interpretación metapoética. Remite al hecho de penetrar más allá de la superficie de las cosas, de dejar un rastro, de inscribir signos. Arar, al fin y al cabo, es escribir. Se dice en el poema que abre el libro y se titula “Ningún lugar”: "Se trata de abrir un espacio / entre la palabra y el silencio, / y de permanecer allí, a la escucha". Siendo una declaración de intenciones, un modus operandi, podría funcionar a modo de poética inaugural. Así, este “ningún lugar” no es solamente el erial, el terreno sin cultivar ni labrar, sino también el espacio de la página en blanco, el no-poema, el silencio primigenio que el autor trata de abrir para que la palabra germine en poema.

Arar es un libro en el que la voz se funde (se confunde, cabría mejor decir) con el elemento de la tierra en su sentido más amplio. Tierra como ser vivo, como claustro maternal y como urna cineraria a la vez. Tierra como principio y fin de todo. A este respecto, he recordado unos versos de Anise Koltz de su libro Cantos de rechazo. A menudo suele citarse, entre otros, a Paul Celan como lectura e influencia primordial en Ángel Gracia, cuando yo veo incluso más cercano el mundo poético de Koltz.

Dice el poema de Anise Koltz: “Me he estremecido / al marcar la tierra / con mis rasgos // También ella / la tierra / se ha estremecido”

Aunque los versos sean de Anise Koltz, ese fundirse o confundirse con la tierra, con la naturaleza, con el paisaje natural para terminar siendo paisaje interior (paisaje del espíritu), es una de las constantes en la poesía de Ángel.

En Arar, continuando con la dinámica de sus libros anteriores, los poemas se fragmentan en sensaciones muy medidas, en esquirlas emocionales de largas ondas expansivas. La mirada está sometida a un núcleo obsesivo que la absorbe y la dirige de forma centrípeta hacia una celebración de la vida y una comunión con el mundo.

Se trata de una escritura poética que tiene mucho de orfebrería nada recargada, significativamente concentrada, que quizás no advierta por primera vez quien lea un poema suelto de Ángel Gracia, pero que se impone en la lectura conjunta de la obra poética desde Valhondo.

Para Ángel Gracia, la experiencia de la escritura intensifica su vida y vive esa intensificación como una forma de placer. Esta intensificación y este placer son independientes de la significación, puesto que la poesía fundamentada en el sufrimiento también puede generar placer.

Sin embargo, Arar es un libro que, si bien toca temas dolorosos como la muerte, el destino o la desaparición, no cae en el riesgo del patetismo y termina por ser un libro de canto y celebración. Se da en él una concepción emotiva del ser humano como una palpitación universal de la que todos formamos parte.

En la primera parte del libro, que lleva por título “Erial”, las sustancias de la muerte saturan la percepción sensorial y, fermentadas en el cultivo de la palabra, vuelven como materialización de lo sublime, como mito en que se manifiestan juntos la intimidad y el ser de la vida.

En la segunda parte, “Fiemo”, aparecen elementos de escatología, escatología que no debe comprenderse únicamente desde su acepción puramente fisiológica sino desde la filosófico-religiosa, puesto que escatología es también el estado de las cosas últimas del mundo y del hombre, el destino de la humanidad y del universo.

Así, “estiércol”, “fiemo” o “heces” aparecen como materias oscuras e inquietantes que abonan la supervivencia y recrean el ciclo de la vida. En ese lugar mínimo y precario que es el excremento se produce la profunda concentración existencial. Interpretar los residuos, desentrañar las claves de la inercia vital en medio de ellos y preguntarse por su sentido incomprensible son parte de las obsesiones del libro como lo es también penetrar en la materialidad íntima de la palabra.

Aquí la forma de mirar del poeta recuerda la del rayo o del relámpago, elementos éstos que también aparecen reiteradamente a lo largo de los poemas. La mirada entra en contacto con el paisaje y participa de él. Aúna la concentración visual y la extrañeza de la iluminación, como si fuera extrayendo sentido a las tinieblas. Así, las imágenes surgen de la escena como flechas o relámpagos que vienen a clavarse en la mirada del lector.

El libro se despliega en la luz como un árbol despliega sus ramas en el aire. Luz como forma suprema en la transformación de la realidad, paradigma de la vida, del conocimiento.

En ocasiones, la luz torna en alucinación, como en el poema “Scardanelli” (personaje cuya sombra también asomaba en Valhondo) y donde un Hölderlin enfermo del espíritu y perdidas ya las facultades mentales, mantiene aun con todo un íntimo hilo de cordura que lo une al mundo.

Con este tipo de mirada y aliento, Arar se manifiesta como un itinerario a través de la zona de contacto entre lo externo y lo íntimo, entre lo material y lo espiritual. Las cosas más insignificantes dejan de ser escasamente visibles para trascender a la superior categoría de visiones. No en vano, el libro se abre y cierra con dos citas entresacadas de los Proverbios del infierno de William Blake, poeta éste visionario donde los halla: “Conduce tu carro y tu arado sobre los huesos de los muertos” y “El gusano perdona al arado que lo corta”. Así que cabría intercalar otra cita del mismo Blake y sustituir los sustantivos simbólicos por otros más acordes a la obra de Ángel para explicar esto que quiero decir sobre la luz, la magnitud del tiempo y la mirada. Cito a Blake, pero serviría también para Ángel Gracia: “El rugir de los leones, el aullido de los lobos, el oleaje furioso del mar huracanado y la espada destructora, son porciones de la eternidad demasiado grandes para que las aprecie el ojo humano”.

Pues bien, ¿qué es la poesía sino el intento de poner delante de los ojos del lector esas “porciones de la eternidad demasiado grandes para que las aprecie el ojo humano”? Ángel se ha entregado a la tarea de cantar un mundo inefable, infausta tarea de la que sin embargo sale victorioso con este libro, quizás el mejor de su andadura.
JESÚS JIMÉNEZ DOMÍNGUEZ
Presentación de Arar, de Ángel Gracia
(Ed. Prames, Zaragoza, 2010)
FNAC Plaza España, 20-04-2010


De derecha a izquierda: Chusé Aragüés, Ana Muñoz, Ángel Gracia y yo.